Cine Festival Filmar en América Latina GE 2012

21.11.12. CINE ENTREVISTAS Lucia Murat (Brasil) por Gabrielle Dupont en Festival Filmar 2012 GINEBRA

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Lucia Murat: «Não nos preocupamos em fazer uma geografia da viagem mas sim em retratar a emoção da viagem» 


— Entrevista com Lucia Murat, diretora de «Uma longa viagem» (2011), Gabrielle Dupont de © Puntolatino, Ginebra 21.11.12. —


A famosa cineasta brasileira Lucia Murat foi convidada para a 14? edição do festival Filmar en America Latina. Ela veio apresentar o seu filme Uma longa viagem e o filme da sua filha, Julia Murat, Historias que só existem quando lembradas, que ela produziu.


Uma longa viagem conta a historia da Lucia Murat e dos seus dois irmãos durante os anos 1960 e 1970. Se o filme conta a historia de uma família, ele é representativo de uma época. Por ser engajada na luta contra a ditadura militar que o Brasil esta sofrendo, a jovem Lucia é torturada e fica presa por quase quatro anos. Enquanto isso, o seu irmão hippie Heitor, começa em Londres a sua longa viagem que vai durar 9 anos. Através das lindas cartas que Heitor manda para a sua família, seguimos seus passos pelo mundo e seus pensamentos. O espectador viaja também entre o passado e o presente, entre cenas de entrevistas atuais do Heitor contando a sua viagem e cenas nas quais o Heitor, jovem, interpretado pelo ator Caio Blat, está em plena viagem escrevendo para sua família.



— Para retratar essa época e essa viagem, você não apenas usou entrevistas com o Heitor mas resolveu pedir para o ator Caio Blat interpretar o seu irmão. A técnica de narração do filme é muito interessante e original. O Caio Blat interpreta as cartas enquanto atrás dele são projetadas varias imagens e filmes que ilustram a sua viagem. Como surgiu essa idéia?

— Houve opção por fazer um tipo de material muito mais emotivo em relação a época do que descritivo. Eu sempre falei que eu não queria fazer um Discovery Chanel mas que eu queria reviver a emoção da época, os sentimentos. Então a gente trabalhou muito com material pessoal, com super 8, com fotos e musica. Isso tudo foi um trabalho de meses de pesquisa e de levantamento. Teve situações incríveis, eu me lembro que o Leu, que fez a pesquisa, me disse que tinha descoberto vídeos de arte fantásticas de Londres, eu falei « mas o que que a gente vai fazer com isso ? », e finalmente virou uma das cenas que eu mais gosto do filme. A vídeo Arte é do Chacal (poeta brasileiro) brincando com um disco num parque em Londres. E a gente projetou aquilo e fez o ator brincar em cima. Então ficou muito legal, é um momento interessantíssimo porque você sente muito forte Londres nos anos 1960 ali. Então foi um filme de descoberta, a gente decidiu desde do inicio que a gente ia usar projeções, mas como usar-las ? Isso tudo foi um processo muito criativo. Por exemplo, teve uma hora que queríamos projetar na parede, mas como a gente vai projetar ? Na biblioteca ? Então pensamos em fazer uma lombada de livros brancos pra poder ter algum reflexo . Eu me lembro que uma vez a gente estava projetando umas fotos numa piscina e ai por acaso o rapaz da arte estava atrás com um pano branco, e de repente a gente viu que o reflexo daquela foto na água sobre o pano branco dava um reflexo no rosto dele que era incrível. A gente acabou usando isso. Buscamos situações que refletissem emocionalmente o que estava sendo dito ou vivido, muito mais do que um Discovery Chanel, muito mais do que uma serie de fotos descritivas. Não nos preocupamos em fazer uma geografia da viagem mas sim em retratar a emoção da viagem.






— Uma longa viagem é um filme muito pessoal. Como foi fazer esse filme pra você?


— Na verdade a minha mãe tinha mandado datilografar as cartas do Heitor. Ela queria que eu fizesse alguma coisa com elas. Mas na época era tudo muito confuso, eu estava saindo da cadeia. Foi quando eu comecei as entrevistas com Heitor que eu voltei a ler as suas cartas, e ai eu vi que não somente elas são muito representativas de uma época mas elas são literariamente muito bonitas. E elas são muito interessantes porque fazem esse arco dramático do menino muito ingênuo que chega em Londres ate a parte final que é muito angustiada, que são também as cartas mais bonitas mas que são muito angustiadas e algumas bem enlouquecidas. Mas em nenhum momento a gente mentiu, houve uma seleção entre as cartas mas em nenhum momento colocamos uma palavra a mais.




— O trailer do seu filme « Quase dois irmãos » começa com essa frase « Temos todos duas vidas, uma a que sonhamos, outra a que vivemos ». E correto dizer que durante a sua viagem, o Heitor viveu a vida que sonhou?
— Eu acho que sim. Digamos que foi cobrado um preço muito caro por isso, não é ? Mas acho que sim. E uma frase do Fernando Pessoa que a gente usa falando das utopias da minha geração.



— A idéia de Uma longa viagem nasceu depois do falecimento do seu irmão Miguel. Você dedicou o filme a ele. Mas a personagem principal é o seu outro irmão, o Heitor e a sua longa viagem. O que ele achou do filme ? Gostou?

— Ele gostou do filme, foi importante pra ele. Foi uma época da vida dele que ele fez uma viagem muito louca e muito particular mas que tinha sido esquecida. As vezes as pessoas o param na rua e falam « parabéns, incrível a sua vida » então foi muito bom pra ele. E o Caio teve uma participação incrível como ator, porque eu dei pra ele o roteiro com as cartas selecionadas, mas acho que ele tomou duas decisões que foram fundamentais para que conseguisse interpretar tão bem o Heitor : ele me pediu as cartas na integra, e também me pediu para conhecer o Heitor. Então ele ficou indo na casa do Heitor e conversou muito com ele.



— As questões políticas são muito importantes no seus filmes mas também na sua vida. Em Uma longa viagem , você mostra uma juventude politizada, lutando pela liberdade. O que você acha da juventude de hoje, muitas vezes considerada alienada e individualista?

— Existe uma fantasia muito grande em relação aos anos 1960, mas pra mim é uma grande felicidade que a minha filha não teve que viver a ditadura. E evidente que hoje não tem aquela radicalização que a gente viveu, você não tem contra ao que se opor tão claramente. Estou terminando um filme agora (A memória que me contam) que trata um pouco da relação entre pais e filhos, das diferenças entre gerações. Eu acho que nossos filhos são pessoas que estão tentando fazer coisas. Coisas diferentes obviamente. Não tem esse aspecto romântico e aventureiro que foram nossas vidas ao visto de hoje, mas que nos custou caro. Hoje o mundo é outro, esse mundo neoliberal é fogo mas acho que tem muita gente tentando fazer um trabalho. A minha filha com esse filme (Historias que só existem quando lembradas) faz um trabalho que representa as preocupações da geração dela.




— O seu filme é muito diferente do filme da sua filha. Uma longa viagem é cheio de musica, movimento, energia enquanto Historias que só existem quando lembradas é muito lento, silencioso ...

— A questão da lentidão, eu acho que faz parte da geração mesmo. E uma geração nova que vem fazendo um tipo de cinema que é um cinema muito influenciado pelo cinema oriental, muito reflexivo, muito em oposição a aquilo com que foram criados como a televisão, os clipes, os blockbusters. E tem uma coisa nesse cinema de ir ao interior, onde tem um outro ritmo, de buscar essa outra realidade.



— Você passou por uma experiência muito difícil. Você foi torturada e presa durantes três anos e meio durante a ditadura. O seu primeiro filme « Que bom te ver viva » trata desse período. Suponho que fazer filmes tratando desse assunto já é uma forma de denunciar essas violências. Mas eu queria saber o que você espere, pessoalmente, da Comissão da Verdade?

— Meu ultimo filme Memória que me contam fala um pouco sobre isso. Acho que nunca houve a intenção de denunciar exatamente nos meus filmes. Acho que foi uma necessidade minha de falar, por ter vivido uma experiência tão dura, mais do que qualquer outra coisa,. E impossível essa experiência não ficar presente na tua vida. Então foi muito mais uma necessidade minha de falar do que uma proposta de denunciar. O Brasil é o ultimo país da America Latina a fazer esse trabalho, todos os outros países já denunciaram, tiveram sua Comissão da Verdade, inclusive muitos já julgaram. Mas a gente nunca fez nada. Acho que isso tem a ver com a cultura brasileira que é uma cultura de conciliação. Pelo menos do ponto de vista de investigação, eu espero que a Comissão da Verdade avance. Tem surgido algumas denuncias novas, particularmente em relação aos desaparecidos políticos. Alguns guardas e policiais fizeram declarações que são absolutamente espantosas, terríveis. Foi muito importante a criação da Comissão e espero que, fundamentalmente, se conheça o que realmente aconteceu.




— O cinema brasileiro é o convidado de honra dessa 14? edição do festival. Alem de filmes recentes são apresentados os considerados «clássicos» do cinema brasileiro como Macunaíma e Antonio das Mortes. Segundo você, qual é O filme brasileiro, O grande «clássico» que tem que ser visto?

— Deus e o Diabo na Terra do Sol ! E difícil responder, você tem um grande filme da época do cinema mudo que é o Limite, mas eu acho que do Cinema Novo é Deus e o diabo na terra do sol. Eu acho que é o mais impactante. E evidente que tem muito a ver com a tua adolescência. E muito difícil um filme ser tão impactante quanto aquilo que você viu na sua adolescência. Na minha adolescência foi o Deus e o Diabo na Terra do Sol. Foi um dos primeiros filmes que falava de uma outra realidade do Brasil. Nessa época a gente tinha basicamente uma tradição de cinema que era a chanchada, a comedia, o musical ou então um outro filme mais sério feito em São Paulo, a historia da Vera Cruz … e de repente você tem um filme muito impactante que fala da realidade social brasileira com uma estética muito nova. Os cineastas do Cinema Novo se aproveitaram do fato de não ter muito dinheiro, trabalhavam câmera na mão, se aproveitaram do contraste da luz do Nordeste para fazer uma fotografia extremamente contrastada, e a forma de interpretar também era muito diferente. Então acho que tudo isso foi muito impactante na época. Mas eu acho que é um filme que não envelheceu, acho que é um filme muito bom ate hoje.




— O que você acha dessa edição do festival Filmar?

— Achei a programação muito boa, com muito filmes interessantes. Acho ótimo esse festival, acho que tem um retrato da America Latina excelente e o publico é bom.



Filmografia da Lucia Murat
Que Bom Te Ver Viva (1989)
Doces Poderes (1997)
Brava Gente Brasileira (2000)
Quase Dois Irmãos (2004)
Olhar Estrangeiro (2005)
Maré, nossa historia de amor (2007)
Uma longa viagem (2011)
A memória que me contam (2012)


Gabrielle Dupont de © PuntoLatino, Ginebra 21.11.12.


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02.12.12. CINE ENTREVISTAS com Karim Aïnouz (Brasil) por Gabrielle Dupont (Festival Filmar 2012 Ginebra)




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Karim Aïnouz: O que eu procuro fazer é olhar cada filme como uma nova aventura completamente distinta

— Entrevista com Karim Aïnouz Gabrielle Dupont © de Puntolatino —


O cineasta Karim Aïnouz foi convidado para a 14ª edição do festival Filmar en America Latina. Os seus 4 filmes: Madame Satã, O Céu de Suely, Viajo porque preciso volto porque te amo e O Abismo Prateado faziam parte da programação. O publico teve a sorte de assistir aos filmes em presença do diretor de talento.

O seu ultimo filme O Abismo Prateado foi inspirado na linda musica do Chico Buarque Olhos nos Olhos. Nesse filme, seguimos durante uma noite uma mulher que acaba de ser abandonada pelo seu marido. Passo a passo, acompanhamos Violeta nessa experiência. Como o próprio diretor diz tão bem “o filme tem alguma coisa de raio x de coração” .




O seu primeiro filme « Madame Satã » retrata a vida do João Francisco Dos Santos, malandro negro e homosexual que vivia na Lapa nos anos 1930. Eu queria saber o que te levou a te interessar a esse personagem ?

Acho que foram duas coisas que me interessaram bastante, a primeira é uma coisa dele, muito particular do personagem que é uma capacidade de nunca desistir, de estar sempre brigando com a vida, pra poder estar vivo, pra poder ser feliz, pra poder continuar. Foi como se passasse a vida fazendo uma corrida de obstáculos e mesmo assim tinha algo de muito bonito na maneiro como ele resistia. E a segunda coisa foi a raiva, ele tinha uma raiva que eu sinto falta no Brasil. Não é ira, é raiva mesmo, raiva contra um determinado estado de coisa. Uma raiva produtiva que eu sentia falta e essa coisa dele de se colocar de uma maneira muito clara, muito transparente, com muita força. Isso são as duas coisas que me fascinaram mais. E também naquele momento da cinematografia brasileira eu sentia falta de um filme que tivesse um protagonista negro, eu achava que era importante e relevante.



Você poderia descrever “Madame Satã” em três palavras?

Eu acho que tem alguma coisa da alegria, da teimosia e da explosão.




Os seus filmes são muito diferentes um do outro, e ate os filmes em si são difíceis de classificar em um gênero específico, você procura fazer isso?

O que eu procuro fazer é primeiro não ficar preso à idéia de coerência da obra e tal. O que eu procuro fazer é olhar a cada filme como uma nova aventura completamente distinta, procuro me entregar um pouco ao filme, à historia, ao personagem e tentar vir a serviço disso e não tentar impor uma forma pra isso. Então acho que por conta disso os filmes vão ficando muito distintos. Acho que cada filme tem a sua cara, tem seu jeito, tem seu perfume, tem sua textura. Mas geralmente todos os meus filmes são retratos mas do que historias, não é ? Então acho que entram nessa categoria de retrato. Eu me interesso muito pelo gênero retrato. Então mais do que tentar imprimir uma marca minha, na maneiro como eu olho para esse personagem acho que tem que vir com ele. Tinha uma coisa muito clara no Madame Satã que era a questão da explosão e do contraste do personagem. E ai o filme, pra ser preciso conceitualmente, ele tinha que ser um filme contrastado, que fosse sobre o corpo do personagem mais do que sobre um espaço. Isso em função de um desejo de traduzir o que era esse personagem. No Céu de Suely acho que tem uma coisa que é bem distinta disso, é um filme mais delicado, os cortes são mais delicados, a questão da paisagem é muito importante ... Então por conta disso acho que cada filme pede um outro olhar, ou não sei se é um outro olhar, o olhar é o mesmo, mas cada filme tem um corpo, eu acho que é isso.




Como você disse, o gênero retrato te interessa muito, achamos em todos seus filmes o fato de seguir de muito perto um personagem, a sua intimidade, e isso é ainda mais forte em O Abismo prateado. E impressionante como é fácil se identificar à personagem. O que te interessa em seguir de tão perto uma pessoa ?

Pois é, eu não sei, eu acho que isso nunca foi uma decisão deliberada em nenhum dos filmes mas eu fui me dando conta intuitivamente que era isso que me interessava, que era isso que me animava. Estou muito interessado no cinema enquanto experiência de “partager l’intimité entre les gens” , não sei como a gente traduz isso de maneira mais precisa. Eu tinha alguma coisa com Madame Satã, que é a questão da humanidade, tinha uma coisa quando eu fiz o filme e eu acho que isso foi vindo nos outros também, eu queria um pouco que as pessoas saíssem da sala de cinema com a sensação que elas tinham estado com aquela pessoa, que elas tinham sentido o cheiro daquela pessoa. Que houvesse, mais ainda do que o mecanismo de identificação, o mecanismo de compartilhamento da experiência. Eu acho que isso era uma questão fundamental pra mim. Outra questão era de tentar fazer um cinema que fosse um cinema mais físico, onde a gente tivesse realmente uma sensação física de ter estado ali com o outro, não só de testemunhar mas de compartilhar a experiência do outro. Acho que isso foi duas coisas que me encantaram muito no cinema mais do que a questão da historia. Inclusive acho que certos filmes tem problemas de historias, as vezes as historias são quase fiapos, então tenho vontade de ter historias que tem um pouco mais de corpo. Bom ... eu adoro gente, é a coisa mais gostosa que tem no mundo pra mim é estar em volta de gente, conhecer o outro, eu tenho realmente uma paixão grande, uma curiosidade, um interesse genuíno sobre o outro. E eu acho que o cinema é o jeito que eu me debruço sobre isso, eu invento um outro ali que eu não conheço direito, que eu consigo criar e tal. Então eu acho que tem essa relação com outro e esse fascínio pelo outro, pela experiência humana. Isso é o que mais me moveu quando eu estou fazendo cinema, mais do que qualquer outra coisa. E dai a questão do personagem, quando você entra verticalmente num personagem você de fato pode compartilhar da experiência dele.




Depois da projeção do «Abismo prateado», você disse que o filme tinha sido feito muito rápido e que tinha coisas que você gostava no filme e outras que você gostava menos, você pode dizer quais são elas ?

Esse filme foi um filme muito curioso pra mim, eu aprendi muitas coisas com ele. O filme tem alguma coisa de um borrão, de um “esquisse”, mas acho que tem um outro lado do cinema é que ele é uma forma de expressão que precisa de tempo. Então olho o filme assim e penso “porque que eu não cortei esse plano antes” e eu raramente tenho isso com os filmes. Sempre você fica pensando “eu poderia ter feito aquilo mais do que isso” e tal, mas com o Abismo prateado isso é mais forte. O filme não dormiu comigo, ele ficou acordado o tempo inteiro. Tem uma coisa que eu acho que fizemos muito rápido que é o roteiro, então acho que ele sofre de uma certa anemia narrativa sabe ? Que talvez seja o que é bacana do filme porque ele não fica ali tentando contar nada, ele é um pouco “estamos aqui vamos là”, “o que é que eu sinto depois que eu passei por isso” ...




E corresponde ao que ela esta vivendo no filme ...

E completamente. Mas por exemplo eu não sei se a personagem tinha que ter encontrado ninguém. Eu acho que o filme podia ter uma radicalidade ... Mas enfim, talvez nada de que eu estou te dizendo tenha nenhuma relevância e que o filme seja muito melhor do que tudo que eu estou te falando. Mas são questões que ficaram comigo talvez porque o filme foi embora muito rápido.




Se eu entendi bem você talvez não teria feito o personagem encontrar alguém ?

Acho que não, acho que aquilo é lindo mas sei la ... eu acho que eu queria ficar mais próximo do coração dela, o filme tem alguma coisa de “raio x de coração”. Eu acho que funciona mas acho que é um pouco surpreendente.




Em O Abismo prateado é a primeira vez que você contrata uma atriz tão famosa quanto a Alessandra Negrini. Você imediatamente pensou nela para esse papel ?

Desde o começo eu pensei na Alessandra. Tinha uma coisa nela que me interessava muito. Esse filme vem também de um lugar que me interessa muito. O universo do Chico Buarque, quando ele fala de amor, é um universo super classe media. E eu sempre tive um pouco de preconceito com a coisa da classe media, ela é tão onipresente na televisão então eu sempre fui reticente à esse universo. E ao mesmo tempo também me interessava fazer um filme onde você teria um personagem que fosse comum, que não fosse um personagem de exceção. E uma mulher, acabou de alugar aquele apartamento, é casada, tem um filho, de profissão liberal ... então me interessava muito olhar esse lugar. E tem uma coisa na Alessandra que sempre me encantou muito que era o fato dela ter uma personalidade, ela tem algo que é só dela e de mais ninguém mas tem algo bastante comum nela que era muito importante para esse papel. Não da pra sair fazendo esse filme com a Anna Magnani. Era importante que nesse filme o personagem fosse um pouco apagado as vezes. E o corpo, era importante que fosse um corpo comum. Tudo nesse mesmo conceito de falar de um determinado lugar, que é o lugar da classe media, de pessoas que tem trinta e cinco anos enfim. E ai quando eu pensei em tudo isso pensei que era a melhor pessoa.




Em uma entrevista você disse que ha muitos anos o Todd Haynes tinha falado pra você que “um filme sempre parte de um único conceito” e que essa frase tinha te impactado muito. Depois de ter realizado cinco filmes, o que você acha dessa frase ?

Eu fiquei muito impressionado quando ele falou isso. Eu acho que tem uma coisa bacana nessa frase, tem um rigor nisso e uma simplicidade. Então por exemplo quando você me pergunta o que foi fazer Madame Satã, eu vou te falar que eu passei uns seis anos que eu não sabia direito o que que era quando eu estava escrevendo o roteiro. Era tanta coisa, tanto assunto e o tempo foi passando e eu olhando aquele roteiro e parecia uma feijoada, tinha todo tipo de carne. Eu acho que uma coisa que o Todd me ensinou foi a questão da clareza. Não da pra fazer um filme sobre a vida inteira de um cara como Madame Satã, não da pra fazer um filme que conte tudo. As vezes o conceito não é tão claro e tudo bem, mas eu acho que tem que haver algo que seja pelo menos uma visão . Por exemplo no Céu de Suely, tinha uma coisa na época desse filme, não lembro quem foi mas alguém me deu uma foto da Samanta Morton com uma mala. E eu queria fazer um filme imaginando para onde que essa mulher vai, de onde é que essa mulher veio, quem é essa mulher. Isso não é preciso conceitualmente mas é sim um ponto de partida, e eu vou estar sempre me referindo a ele. Hoje em dia prefiro pensar como musica, qual é o tom do filme ? Azul marinho ? Pedra e fogo de artifício ? Sei la ... é isso que fica, quando você sabe o tom você tem o filme, quando você não sabe o tom vira um filme neutro, um filme sem cara, um filme sem jeito. Então acho que hoje em dia o conceito é um elemento muito importante mas a questão do tom talvez seja mais ainda.




Quando você reponde as perguntas do publico ou de um jornalista, você percebe a visão, a interpretação que essas pessoas tem do seu filme, que assim deixa um pouco de ser seu ... o que você sente em relação a isso ?

Seria tão bom se não precisasse falar dos filmes, que eles existissem por si mas isso não existe, isso é uma ficção. Eu acho que os filmes precisam ser comunicados, dai eu prefiro comunicar o filme do que deixar tudo solto, pelo menos eu sinto que eu tenho um pouco mais de controle. Mas finalmente não interessa, o que interessa de fato é como o filme fala com você, se você acha que consegui dizer o que você quer falar, isso é o que esta em jogo. O resto é uma maluquice, as pessoas acham qualquer coisa, e a outra acha o não qualquer coisa. Por isso que nunca vejo filme com publico, não tem a menor possibilidade de ver o filme com publico. Pra mim é a coisa mais violenta que eu poderia fazer pra mim e pro pobre do filme porque assim, temos uma relação muito intima, eu e a historia, eu e os personagens ... e igual você transar e ouvir o seu melhor amigo transando no quarto ao lado, é horrível, é constrangedor ficar ouvindo aquilo, ninguém precisa passar por isso. E ver um filme com o publico pra mim é um pouco isso, você faz uma cena que é pra pessoa ficar triste e ai as pessoas riem ... mas tudo bem porque o filme não é mais meu, é do mundo mas um dia ele foi meu então eu prefiro lembrar dele quando foi meu. E muito afetivo a relação que eu tenho com os filmes. Mas eu acho muito interessante fazer um cinema que seja mais aberto no sentido da construção do significado. E bonito quando um filme possibilita a multiplicidade de interpretação.




O clássico do cinema brasileiro que tem que ser visto segundo você ?

Um eu não sei, eu teria uns três. Tem um filme que se chama Vidas Secas que eu adoro, tem um outro que eu amo que é A hora da estrela, que é um filme da Suzana Amaral que me fez olhar pro cinema brasileiro de uma outra maneira. E tem um filme que eu amo de paixão e ninguém fala dele que é A dama da lotação, que é uma pornochanchada com a Sonia Braga que eu acho maravilhoso, que é bem louco. E tem um outro filme que eu amo que é Iracema uma transa Amazônica do Jorge Bodansky.




Você poderia falar um pouco sobre o seu novo projeto Praia do futuro ?

Esse projeto é um filme sobre três personagens masculinos e sobre a relação que existe entre eles. E um filme que fala muito dessa questão do embora, de virar outra pessoa. Cada personagem é um pouco inspirada num super herói. O filme é principalmente sobre masculinidade e vulnerabilidade, como você pode de fato exercitar sua masculinidade sem necessariamente abdicar de uma certa vulnerabilidade. E uma coisa de super herói mas de super herói tirando a mascara.


Ginebra 02.12.12., Gabrielle Dupont de © PuntoLatino


Filmografia
Madame Satã (2002)
O Céu de Suely (2006)
Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009)
O Abismo Prateado (2011)




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CINE 2012 Festival Filmar América Latina GINEBRA. Notas y Reportajes en PuntoLatino. G. Dupont, E. Widakowich, F. Bauer, L. Vélez-Serrano



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“Gracias a la vida merecería ser objeto de otra película ...» (Angel Parra)


— nota de Eduardo Widakowich de © PuntoLatino —

Invitado a Ginebra para la apertura de la 14 edición del Festival en América Latina, el compositor chileno, Ángel Parra, asistió emocionado a la proyección del primer filme del Festival. La película «Violeta subió a los cielos», dirigida por el realizador chileno Andrés Wood narra la vida de Violeta Parra y es una adaptación de la biografía homenaje que Ángel, su hijo, publicara en 2006.

La película (2011) rodada en Chile, Argentina y Francia, retrata los inicios, vida, obra y amores de la artista y folklorista chilena Violeta Parra. Con un fino humor y utilizando como recurso cinematográfico una entrevista realizada en Buenos Aires en la década del ‘60 a la ya artista ya consagrada, la película como la actuación de la actriz chilena, Francisca Gavilán, logran transmitir la fuerte personalidad de una artista genio y mujer de excepción para su época.

La niñez como los origines humildes de la artista en formación se conjugan con los viajes hacia el interior del campo chileno donde descubrirá la tradición, las historias y la gente que hacen al foloklore popular. Sus primeros viajes al continente europeo, la encontrará como madre de tres hijos y queda retratada en una de sus primeras visitas al festival de música de la juventud en la Polonia comunista como sus estadas en Francia y Ginebra.

De sus amores, su relación con el músico antropólogo suizo Gilbert Favre: “el gringo”, interpretado por el actor Thomas Durand, logra acercar a la América Latina con Ginebra; en tanto que hace presagiar el final. «Violeta se fue a los cielos», permite descubrir a una excelente y polifacética artista, gran madre y mujer, como también, descubrir el folklore chileno así como tender puentes entre los dos continentes.

En la recepción que siguió la inauguración el autor de esta nota y otro redactor de PuntoLatino conversaron brevemente y le preguntaron porqué no se hablaba más de la canción «Gracias a la vida». Angel respondió: «Gracias a la vida» sería tema de otra película ...
































En 1973 una tarde trajeron a mi celda (camarín del Estado Nacional de Chile) a un joven algo pálido y me dijeron es un cantante, se llama Angel Parra. Esto durante la dictadura de Pinochet. Al día siguiente lo pasaron a otra celda (camarín) y el 17.11.12., lo volví a ver después de 30 años en Ginebra. Lo vi en la inauguración del Festival Filmar en América Latina, en el que se proyectó el filme «Violeta subió los cielos», sobre la vida de su madre. Un filme que emocionó y se los recomiendo. —
Luis Vélez Serrano




Con su canto y su guitarra al hombro se propuso volar, pero no en línea recta. Y lo consiguió ...


— nota de Luis Vélez Serrano de © PuntoLatino —

Gracias a la vida
«Gracias a la vida», cantada hoy por muchas artistas latinoamericanas, es un himno a la vida, de amor a la vida, un mensaje entonado generalmente en tono alegre. No he tenido la suerte de leer aún el libro biográfico de Angel Parra sobre Violeta, su madre, pero después de ver el filme «Violeta subió a los cielos» y escuchar nuevamente la canción en la propia voz de la cantautora chilena, surgen otras posibles interpretaciones y sentimientos. Sin dejar de ser una expresión poética de amor a la vida, adquiere también contornos nostálgicos como el de una especie de despedida de la misma. En todos los casos, Violeta, la gran cantautora de América Latina, deja en esa canción, un testimonio vital que se abre a varias interpretaciones, tal es el caso de las grandes obras estéticas. En todo caso su canción es inmortal, porque «Gracias a la vida» es una sonrisa ora alegre, ora amarga, pero de permanente juventud allende las fronteras de la vida misma ... 

Violeta subió a los cielos
El hilo conductor de la película es una entrevista ficticia con una televisión argentina (datada en la realidad en 1962, pero reimaginada en 1965). La biografía de Violeta no sigue un ritmo lineal ni pretende tener un estilo documental, se presenta como una serie de estampas, sin una articulación elaborada: los comienzos, el amor a la música, el folklore, el compromiso social, los éxitos y los fracasos, la pasión amorosa, la familia, etc., momentos en los que se aprecia las distintas etapas de la vida de la artista, desde la niñez hasta la madurez. [Foto 4: El actor Thomas Durant, que hace el papel del Gringo Favre, con Eduardo Widakowich y Luis Vélez Serrano de PuntoLatino].


El elemento biográfico. Ver la película conociendo algo más de la vida de la artista, facilita una interpretación más amplia, huelga decirlo, ya que apela a la «competencia histórica» o experiencia del espectador, la percepción se hace más amplia. La vida de Violeta fue muy singular, muy única y muy intensa, llena de altibajos, cambios, contradicciones y tuvo mucho más movimiento que en una vida «común». La vida de Violeta, fue sin duda una vida más movida ... Tanto en sus sufrimientos, en sus éxitos y en su pasión amorosa. Así su gran amor por el folklorista ginebrino Gilbert Favre (el Gringo del grupo folklórico boliviano «Los Jairas»), bastante menor que ella, le une de alguna manera a Suiza y fue una de sus pasiones vitales.

En temática social, sus palabras son francas, duras, descarnadas. En decir del director de la película Andrés Wood, en una entrevista pasada (1), sus canciones sociales, en su momento, fueron censuradas hasta por el Partido Comunista chileno, por considerarlas muy frontales.

La potencia de su voz, es potencia de una vida intensa, por eso llega al corazón de mucha gente. Su arte es comprometido, pero comprometido con la humanidad, con los pobres de Chile y del mundo. En el filme y creo que en la vida de Violeta, no se ve un compromiso ideológico, se ve y se siente un compromiso vital y social.

Violeta, con su canto y su guitarra al hombro, se propuso volar, pero no en línea recta. Saboreó el éxito y lloró fracasos, pero ante todo fue ella misma en las visicitudes, hasta para preparar su final. Lo que a mí me transmitió el filme, es la impresión de una vida intensa y poco común, de alguien que fue consecuente consigo mismo hasta en la hora postrera:

«Soy un pájaro sin plan de vuelo, que nunca puede volar en línea recta, que odia las matemáticas y ama los remolinos»...


NOTA
(1) Wood entrevistado por Jorge Caballero de la Jornada (Jalisco, México, marzo 2012).





Fotografías:

1. En la inauguración del Festival: Angel Parra y el actor Thomas Durand es presentado por Sara Cereghetti, responsable del Programa del Festival.

2. Afiche de la película «Violea subió a los cielos».

3. Angel Parra rodeado por los redactores de PuntoLatino, Eduardo Widakowich y Luis Vélez Serrano. 

4. Thomas Durand rodeado por los redactores de PuntoLatino.

5. Un lleno total en el Auditorium Arditi de Ginebra.

6. La directora de prensa del Festival Florie Pingoud con Juan Tellez, Eduardo Widakowich y Luis Vélez Serrano de PuntoLatino. 




Capitães da Areia: Los niños de la calle de los años 30, una realidad que todavía perdura ...


— nota de Fanny Bauer sobre el filme de Cecilia Amado (2011) —

Basada en la obra del escritor brasileño Jorge Amado, publicada en 1937, Capitães da Areia es una película que relata la vida de un grupo de niños abandonados y huérfanos, viviendo en la pobreza, la insalubridad y la búsqueda de la libertad, llamados Capitães da Areia, en la ciudad de Salvador de Bahía en los años 1930. En esta época de epidemia de viruela, el aparato estatal de policía servía para perseguir a los niños de la calle, usando la tortura sin una pizca de justicia, lo que radicalizó también la violencia de los grupos de menores, acostumbrados a robar para sobrevivir. Por la dureza que tienen que afrontar, este grupo de niños se junta y se protege en un antiguo almacén al lado de la playa, como si fuera una familia.

Realizada por la nieta de Jorge Amado, Cecilia Amado, esta película a la vez dramática y poética, con imágenes increíbles y una banda sonora firmada por el famoso Carlinhos Brown, pinta la realidad de los niños de la calle de los años 1930, pero que, por desgracia, sigue siendo vigente en nuestra época.

A través de esta historia, Jorge Amado, desarrolla una crítica social de la política del Estado Novo del Brasil de los años de dictadura de Getúlio Vargas, que empieza a tomar en cuenta la lucha de las clases y las transformaciones importantes del país. Además, hay que tener en cuenta que las obras de Jorge Amado fueron perseguidas y quemadas durante este Gobierno, por ser consideradas como vehículo de propaganda comunista. El autor centró sus novelas en la población negra y mulata de Bahía, donde vivió la mayoría de su vida, a pesar de 3 años de exilio político en Europa y América Latina, después de la declaración de la ilegalidad del partido comunista, enfocándose en la clase proletaria de Brasil.

Amado es el autor más adoptado por la televisión y el cine, además ganó distinciones muy altas, tales como el Precio Camões en 1994, la distinción más alta en la literatura en lengua portuguesa y el Premio Lenin para la Paz en 1951.

Fanny Bauer de © PuntoLatino


Jorge Amado muestra la vida de los niños obligados a delinquir por una sociedad que les da la espalda


— nota de Luis Vélez Serrano de PuntoLatino —

Jorge Amado es uno de los más grandes escritores latinoamericanos y este 2012 es el año de su centenario. Como muchas de las novelas más importantes de América Latina, Capitães de Areia ha sido llevada a la pantalla por su nieta Cecilia Amado, además que como reconoce la crítica, es una obra «muy cinematográfica», es decir, que se deja representar en película. Muchas de las obras de Jorge Amado han sido llevadas al cine e incluso al mundo de las telenovelas, dirigidas ora por consagrados cineastas, ora por jóvenes directores. Como todos los de su generación su temática tiene un profundo contenido social. Su obra es un referente en la cultura brasileña y latinoamericana.

En el Festival Filmar muchos son los nombres como los de Jorge Amado (Brasil), y otros más actuales como los de Walter Tournier (Uruguay) o Angel Parra (Chile) que de una manera u otra están vinculados a esta edición del Festival por la temática social y da la coincidencia que casi todos han sido exiliados y perseguidos por las dictaduras de sus respectivos países, precisamente por haber osado tocar la temática social. Es reconfortante ver a quiénes da razón la historia medio siglo después ...

Cecilia Amado lleva Capitães de Areia al cine mostrando el mundo de los niños de la calle, una micro sociedad con sus propias reglas. Niños obligados por la necesidad a ser precoces, pero precoces en el delito, en la organización para sobrevivir donde todo vale. Más que precoces, se podría decir que son niños-adulto. Un mundo que desde los años 30 al presente, han movido la conciencia de gente de la cultura y del arte, de la ciencia y de la información, pero que no ha llegado al corazón de los políticos. Los «capitães de areia»  de los años 30, siguen aún pululando por las calles de toda América Latina del s. XXI, con la agravante de que siguen siendo niños y adolescentes.

Luis Vélez Serrano de © PuntoLatino




Derechos del Niño - Walter Tournier (Uruguay)


— nota de Fanny Bauer de © PuntoLatino, Ginebra 20.11.12. —

Con motivo del Día Internacional de los Derechos de los Niños, el 20 de noviembre 2012, contando con la presencia del realizador, Walter Tournier, así como con el apoyo de Terre des Hommes Suisse, el Festival Filmar proyectó el filme Derechos del Niño.

Esta mini serie de 12 películas (episodios) de 1.30 minutos cada una, es patrocinada y financiada por el Instituto Interamericano de Niño (IIN), Departamento afiliado a la Organización de los Estados Americanos (OEA), para la promoción, la protección y el respeto de los derechos de niños, niñas y adolescentes en la región. Presenta los conceptos de la Convención de los Derechos de los Niños de la OEA, tales como el derecho a la vida, a la salud, a la protección contra el trabajo, etc. Si el proyecto empezó 5 años antes, se terminó sólo hace algunos meses.

La noción de derechos de los niños aparece en 1841 en Francia, con la elaboración de leyes para proteger a los niños trabajadores y, 40 años más tarde, con el derecho a la educación. Después de eso, en el siglo XX, se desarrolló, en Europa, una legislación a cerca de la protección medical, social y judicial.

El reconocimiento internacional pudo hacerse gracias a la Sociedad de las Naciones (SDN), en 1919, con la creación del Comité de la protección de los niños y con la Declaración de Ginebra, el 26 de septiembre 1924, que representa el primer texto adoptado al nivel internacional y que reconoce derechos específicos a los niños, así como responsabilidades a los adultos.

Después de la Segunda Guerra Mundial, en 1947, se creó el Fondo de Naciones Unidas para la Infancia (UNICEF) para rescatar a los niños europeos víctimas de la guerra antes de convertirse en una organización internacional con un mandato internacional y de proveer apoyo en materia de educación, de salud y de alimentación. A partir de entonces, en 1959, las Naciones Unidas adoptan la Declaración de los Derechos de los Niños, que goza de un reconocimiento universal, aunque el texto no es vinculante. Hasta que se promulgue el Año Internacional del Niño, en 1979, con la creación de un grupo de trabajo dentro de la Comisión de los Derechos Humanos, para formular una convención internacional acerca de los derechos de los niños, que será adoptada por la Asamblea General el 20 de noviembre 1989, tomando en cuenta los derechos civiles, económicos, sociales y culturales de los niños.

Luego, en 1999, tras The Global March (1998), durante la cual cientos de miles de niños trabajadores, de todos los continentes, caminaron hacia la Oficina de las Naciones Unidades de Ginebra, para la protección y la promoción de los derechos de todos los niños, especialmente el derecho a la educación, así como contra la explotación económica y contra las peores formas de trabajo infantil. Después de esta iniciativa, será adoptada la Convención de Ginebra sobre las peores formas de trabajo de los niños, así como el Protocolo facultativo de la Convención sobre los Derechos del Niño relativo a la participación de niños en los conflictos armados y el Protocolo facultativo de la Convención sobre los Derechos del Niño relativo a la venta de niños, la prostitución infantil y la utilización de niños en la pornografía.

En el día de hoy, la Convención Internacional de los Derechos del Niño fue ratificada por 193 Estados, es decir la mayoría de los países, excepto a los EE.UU. y Somalia, pero todavía queda mucho que hacer en cuanto a su aplicación sistemática en el mundo entero.

Fanny Bauer de © PuntoLatino

Walter Tournier (Uruguay) de formación arquitecto es también director de «Es mi familia» (2002) y «Selkirk, el verdadero Robinson Crusoe (2012). Ambas cintas proyectadas en el Festival. |

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| selkirk | dia universal del niño | iin.oea |











2012 Festival Filmar América Latina - GINEBRA




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14° Festival Filmar en América Latina 2012

— 17.11.12., au 02.12.12., GENEVE —
— PuntoLatino informera en portugais, espagnol et français sur les principaux point du programme —


Angel Parra (fils de Violeta Parra) ouvrira le Festival en présentant le film Violeta se fue a los cielos, le samedi 17.11.12., a 18h.
— Retrouvez-le en concert à la Maison internationale des Associations le jeudi 15.11.12., à 20h. 

Le prochain Festival FILMAR en América Latina basé à Genève a lieu du samedi 17 novembre au dimanche 2 décembre 2012. Un panorama du cinéma brésilien ainsi qu’une programmation éclectique de films latino-américains seront présentés.



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Notas y Reportajes ...

— Ver entrevista a Lucia Murat ...

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Programa Festival Filmar ...



Plus grande vitrine de Suisse sur les cinémas et cultures d’Amérique latine, le festival FILMAR en América Latina organise des projections à Genève ainsi qu’en France voisine et dans d’autres villes de Suisse romande. Les principaux lieux de projections à Genève sont les Cinémas du Grütli, Fonction Cinéma, le Cinéma Bio-Carouge. L’ouverture officielle du festival le 17 novembre, l’ouverture du Panorama Brésil le 18 novembre, de même que la remise des prix le 2 décembre, se tiennent à l’Auditorium de la fondation Arditi.

Cette année, le festival fait la part belle au Brésil qui fait preuve d’une grande vivacité en matière de cinéma. Des classiques, des films de fiction actuels et grand public (pour la plupart inédits en Suisse) ainsi que des documentaires sont présentés. Une rétrospective est dédiée à Karim Aïnouz qui honorera le festival de sa présence. Lúcia Murat, réalisatrice de Uma longa viajem et productrice de Historias que so existem cuando lembradas de sa fille Julia Murat, et Eduardo Nunes, réalisateur de Sudoeste, font également partie des invités du festival.

À l’occasion du centenaire de la naissance du romancier brésilien Jorge Amado (1912-2001), une sélection de films réalisés à partir de ses romans (notamment Capitaines des sables, réalisé par sa petite-fille Cecilia Amado) est proposée dans le cadre d’un cycle «Cinéma et littérature». Une autre adaptation littéraire à l’écran est celle du réalisateur chilien Andrés Wood dans le film Violeta se fue a los cielos, biographie de la célèbre chanteuse Violeta Parra portée à l’écran à partir du récit écrit par son fils Angel Parra: Violeta Parra, ma mère (2011). Le film sera présenté lors de l’ouverture festival en présence de Angel Parra et de Thomas Durand, acteur du film.

Les autres pays d’Amérique latine sont eux aussi à l’honneur à travers une sélection de films récents, inédits, primés ou remarqués dans d’autres festivals de films qui illustrent l’ébullition et la diversité du cinéma latino actuel. Les cinéphiles retrouveront No, du chilien Pablo Larraín, primé à la Quinzaine des réalisateurs de Cannes 2012, et Un mundo secreto de Gabriel Mariño, sélection de la Berlinale 2012 et grand succès en salle au Mexique. Gabriel Mariño fera partie des invités du festival, de même que son compatriote mexicain Michel Franco, réalisateur de Después de Lucía, présenté en avant-première suite à son succès à la section Un certain regard du festival cannois 2012.

Le volet «Jeune public» est aussi très prometteur avec la présence de Walter Tournier, réalisateur uruguayen de films d’animation. La sortie de son premier long-métrage Selkirk, le véritable Robinson Crusoé, est l’occasion de faire redécouvrir aux petits et aux grands l’œuvre du réalisateur de la série Tonky. Un autre maître de l’animation, l’Argentin Juan Pablo Zaramella viendra également présenter ses courts-métrages, parmi lesquels Luminaris, sélectionné aux Oscars 2012. 


Invités au Festival Filmar

Angel Parra (Chili – Cinéma et Littérature)
Présent du 15.11 au 19.11.2012

Lucia Murat (Brésil)
Présente du 16.11 au 23.11.2012

Walter Tournier (Animation – Uruguay)
Présent du 16.11 au 27.11.2012

Thomas Durand (Chili – Cinéma et Littérature)
Présent du 17.11 au 19.11.2012

Eduardo Nunes (Brésil)
Présent du 18.11 au 21.11.2012

Gabriel Mariño (Mexique)
Présent du 18.11 au 25.11.2012

Michel Franco (Mexique)
Présent du 19.11 au 24.11.2012

Jean-Cosme Delaloye (Regards du Cinéma Suisse en Amérique Latine)
Présent du 21.11 au 25.11.2012

Samia Maldonado (Équateur)
Présente du 21.11 au 26.11.2012

Jorge Caballero (Colombie)
Présent du 25.11 au 27.11.2012

Juan Pablo Zaramella (Animation – Argentine)
Présent du 26.11 au 01.12.2012

Karim Aïnouz (Brésil - Rétrospective)
Présent du 29.11 au 02.12.2012

Philippe Goyvaertz (Guatemala)
Présent du 29.11 au 04.11.2012






La résponsable de presse du Festival Florie Pingoud avec la rédactrice de PuntoLatino Fanny Bauer dans la conférence de presse d'inauguration.



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