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Circo e realismo no Brasil profundo

— Boi Neon (Brasil, 2015, Gabriel Mascaro), Mauro Mendonça Kato de ©PuntoLatino

Boi Neon é a segunda longa-metragem do diretor pernambucano Gabriel Mascaro. O filme, que foi exibido na última edição do festival de cinema de Zurique apresenta o retrato de um Brasil que se afasta das ideias pré-concebidas de praia, Amazônia e favelas.

Antes de entrar na resenha em si, penso ser interessante ressaltar alguns aspetos socioeconômicos relacionados à pecuária no Brasil.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, existem no país 209 milhões cabeças de gado, espalhadas em 20% do território nacional. Um número superior a própria população brasileira, que conta com 203 milhões de pessoas.

Isto quer dizer que a produção de gado, ou melhor, o gado em si forma parte integrante do quotidiano de milhões de brasileiros. Nesse contexto a vaquejada e o rodeio constituem um elemento importante da vida cultural e social em várias partes do país.

O filme Boi Neon mostra de forma não-linear a vida de algumas destas pessoas. O protagonista do filme é o personagem Iremar [Juliano Cazarré] (que sonha tornar-se estilista). Ao seu lado encontram-se os seus colegas de profissão, que acabam por formar uma espécie de família improvisada em condições de trabalho igualmente improvisadas.

Podemos dizer que o filme não contém uma narrativa, começa e termina tal como os dias vão passando vaquejada após vaquejada, cidade após cidade. Os personagens tem os seus objetivos e as suas paixões, mas o diretor limita-se a mencioná-los, sem explicar a origem ou os detalhes subjacentes.

Esta abordagem leva o filme a assemelhar-se à um documentário, felizmente o filme contém as suas passagens mais experimentais e evita o neorrealismo tradicional. O que torna o resultado final muito mais interessante.

Boi Neon é um filme difícil de ser explicado, é sobretudo um filme que tem a sua força nos seus elementos mais visuais, as nuances sociais e culturais podem ser de compreensão difícil para aqueles que não estão familiarizados com o Brasil. Para mim, o filme é um retrato estilizado de umas das facetas mais desconhecidas do nosso país.


 

 

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